Mensagem de Natal de Dom Edmar : Jesus Nasce na Belém de Judá de ontem e na Belém da São Paulo de Hoje

Em Belém de Judá nasceu-nos o Salvador. Nas estalagens e casas daquela pequena cidade não havia lugar para ele. Somente numa estrebaria houve como sua mãe acomodar-se a fim de lhe dar à luz. Pequeno, revestido da fragilidade de recém-nascido, Jesus iniciou assim sua jornada humana para nos salvar. Esperado pelos justos e anunciado pelos profetas, quem poderia indicar que o Salvador de toda a humanidade desse início a essa missão no silencioso e convincente apelo pela compaixão humana realizado por um bebê desprovido dos confortos necessários no momento de seu parto? Sim, na gélida manjedoura do estábulo de Belém, Deus, convencido que tem razões suficientes para acreditar em nós, começa sua missão de nos salvar apelando pelo socorro que somente braços e corações humanos poderiam lhe dar.

Como Maria e José o acolheram, também nós acolhemos e festejamos o nascimento de Jesus. Por meio do serviço generoso aos pequenos e marginalizados, nossa Igreja manifesta sua adesão a todas as pessoas de boa vontade que desejam fazer brilhar hoje a estrela de Belém. Das nossas maiores às menores de nossas comunidades, nós cristãos desejamos expressar nosso amor pelo Jesus Menino de ontem e de hoje. Nossas esperanças de um mundo mais humano e solidário são para nós força que nos impulsiona a amar esta nossa Belém; é nela que contemplamos o maravilhoso anúncio que “nasceu-nos hoje um Menino e um Filho nos foi dado”.

Neste Natal, como não pensar na Belém de hoje? Como não evocar pela mente e levar ao coração a Belém ao leste da Cidade de São Paulo? É nos modelos atuais de tão clamorosa exclusão que somos levados a recordar a frieza e desconforto da manjedoura do Menino Jesus, as situações e lugares onde nasce e cresce sua população sem casa e sem abrigo, os habitantes de suas periferias e cortiços, suas crianças, seus meninos e meninas de rua, seus idosos, encarcerados e doentes.

Nesta Belém maravilhosa e inquietante desta grande cidade, a frágil criança divina persiste e afirma: Deus continua acreditando em nós! Desconfiados de nós mesmos por nos lembrarmos dos que entre nós matam, empobrecem e usurpam o direito de seus semelhantes, somos postos às voltas com os pensamentos de que não somos merecedores de tanta confiança e tanto amor. É exatamente neste momento em que tais temores surgem que Jesus, na pobre manjedoura de ontem e de hoje, nos ensina que amar não é esperar merecimentos; amar é manifestação da impagável salvação, tão cara e preciosa que só pode ser única: a gratuita arte de fazer erguer e ressuscitar em nós a força deste verdadeiro amor.